domingo, 11 de dezembro de 2011

Das manifestações

Escutando, agora, Engenheiros do Hawaii: "se for preciso, eu volto a ser caudilho..."

Lembro-me, nestas horas, de uma frase dita nos tempos da Revolução Francesa: "às armas cidadãos..."

Às armas para quê? Que queremos nós?

Cheguei à seguinte conclusão: antes de gritar para a sociedade, é necessário adentrar o seu próprio abismo e, lá dentro, gritar. Sim!, antes de gritar com os outros, é imprescindível que saibamos o porquê de isto estarmos fazendo.

Nietzsche estava certo, vejo eu. Aquele que ascende às massas, assim o deve fazer como líder e, não, como massa, porquanto esta sucumbe de um mal, diga-se, incurável, a miséria. Seus valores miseráveis, arquitetados sobre a fraqueza, talvez tenham alguma ligação com tudo o que percebo hoje, explico: há aqueles - os pastores de ovelhas ou encantadores de serpentes, como quiserem intitular - que doutrinam as pessoas de forma tão abjeta, a ponto de que elas sejam instruídas para gritar, contudo, essas ovelhas (pessoas) não sabem o porquê de estarem gritando. Em outras palavras, se o pastor disser-lhes que devem dirigir-se ao abismo, assim o farão e, por serem incapazes de levantar dúvidas e questionamentos, cairão no precipício, falecendo, por consequência.

Aquele que sabe a razão de seu brado, o real motivo de seu inconformismo, não grita simplesmente por gritar. Ademais, aquele que conhece o seu abismo, saberá calar no momento exato. Ocorre que a massa indigna-se com aquele que se cala no momento em que todos estão a gritar. A massa quer transformar todos em iguais, assim, termina por anular as qualidades individuais, porém, aquele que tem bom discernimento sabe bem que o todo é composto pelas partes. 

Por que dizer isto? Pelo seguinte:
Aquele que sabe a razão do seu inconformismo guerreia de acordo com o que crê ser correto, em outras palavras, ele não grita a esmo, isto é dispêndio desnecessário de energia.

O modus operandi é, muitas vezes, o que dá a vitória em uma guerra.

O exército que vence não é o mais numeroso, mas, sim, o mais instruído.

A massa nunca vencerá se agir como tal, assim sendo, é necessário uma revaloração de alguns valores. É imprescindível que a massa, o oprimido, o humilde, se não quiser mais ser assolado, modifique essa cultura milenar que assim o determina.

Há, ainda, aqueles que acreditam que o simples ato de gritar e reclamar resolverá o problema.

Chego, pois, à seguinte conclusão: só pode apontar e reclamar do problema, aquele que possui as mínimas coordenadas para chegar à solução.


POR ALEX CALDAS (@Alex_Caldass)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pó...

O assombro milenar é trazido a lume numa poesia singela. No exato momento em que dou cabo do meu cappuccino amargo, medito sobre as poesias que ficam ocultas nas poesias que são expostas.
As palavras são como prostitutas e, por isso, eu as amo!  Imagino como seria viver em uma monogamia literária. Imagino-me esposado eternamente a um único livro, a uma única poesia.
É necessário que saibamos que a vida da voltas. É necessário que saibamos que o balanço faz sempre o mesmo movimento: sempre vai, e sempre volta. É necessário que saibamos que os antigos previam o futuro na borra do café, contudo, a única coisa que de fato viam, era a borra do café. De resto, aqueles que acreditavam que o futuro pode ser previsto, acabavam por construir o que outrora fora idealizado – inventado –, na borra do café.
Falta-me hoje alguma inspiração, falta-me hoje um pedaço do corpo. Falta-me hoje um pedaço do dia. Falta-me hoje um raiar do sol. Falta-me hoje um resquício de esperança. Falta-me hoje a real solidão.
A solidão é demasiado complexa, uma vez que vai além das companhias humanas. Hoje me posto sozinho, não tenho comigo nenhuma companhia em corpo presente. Contudo, meus pensamentos variam em lembranças que eu deveria extinguir. Minha memória oferta-me uma taça de fracasso, amargo, como o café que agora degusto.
Sei que os balanços do parque tornarão, mas as crianças que lá irão brincar, não serão as mesmas. Cada ida e vinda do balanço leva uma criança e traz de volta um adulto; o balanço leva um sonho e traz uma desilusão. Quem sabe meus filhos brinquem no balanço. Quem sabe desabroche uma flor naquele parque.
Aliás, o parque sempre estará lá. Mesmo que na minha memória, mesmo que na memória do poeta, ou, quem sabe, na memória das crianças que lá brincaram.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Revolta

Serão escritos algumas crônicas de protesto contra essa autêntica piada.

Comédia.

Talvez esta seja uma palavra que defina bem o jeito que as coisas tem ido no nosso querido sistema. Creio que não vou falar sobre soluções ou apontar o dedo ao indivíduo "a" ou "b", porque de fato admito que não tenho muito conhecimento nisso. Sim, claro as pessoas querem realismo. Analisamos tudo de maneira fria e cética. Sim meu caros leitores, o homem está virando uma frio computador de cálculos matemáticos.

Para começar gostaria de citar o paralelismo que temos visto a respeito da educação. Sem dúvida em certas partes, tal sistema apresentou significativas melhorias mas existe um que parece não sair do lugar. Pois é, a base de tudo, a nossa prezada educação. Exemplifiquemos.

Existe o aluno que vai para escola em seu ensino médio, aprende cerca de boa parte de coisas inúteis para passar no maldito vestibular e então com num autêntico paralelo matemático, vemos o aluno de escola particular ir para a faculdade federal, com plenas condições de pagar a particular. Do outro lado vemos o pobre aluno de escola pública tendo que se ajoelhar a trabalhos desproporcionais a sua pessoa e ceder sua alma à faculdade particular. Que beleza.

A seguir vemos os grandes benefícios do vestibular. O aluno que foi completamente desmerecedor, repete vários anos (muitas vezes dependente de pais de boa estrutura financeira), chega então no terceiro ou nem mesmo chega, faz um supletivo e chega voando no vestibular federal. Rouba a vaga do pobre coitado que estudou a vida inteira para ser um bom aluno mas que está pré-destinado a trabalhar para pagar a droga da particular. Parece justo?

Até mesmo a questão da orientação vocacional. Chego ao ensino médio consciente dos meus talentos como escritor e tenho de aprender inutilidades de física, química e matemática, no tempo que eu poderia estar abrangendo a minha cultura naquilo que de fato irei utilizar em minha vida profissional.

Então chegamos nas cidades-dinheiro. Não interessa se quero ser pintor ou violonista. Aqui eles precisam do profissional específico que vai proporcionar mais lucros a já magnânima economia da cidade. Como na minha cidade. Aqui só querem engenheiros e admistradores. Jornalistas? Existem na segunda maior cidade do Rio Grande do Sul, no máximo uns cinco órgãos de imprensa. Psicólogos? Danem-se, pensamento conservador, afinal terapia não funciona e tal profissional á apenas um vidente lendo seu futuro. Logo mais dinheiro para eles.

O verdadeiro exemplo dos porcos lhes dá um banho em termos de educação. Se querem ser tão igual a ele por que não aderem ao sistema educacional americano? Sem notas com números. Sem vestibular. Ensino Médio com alternativas. Que todos os alunos tenham que fazer o mesmo nível de esforço para chegarem ao sucesso e não uns mais e outros menos. Que os sonhos das pessoas possam ser mais valorizadas.

Que o conservadorismo vá com Hitler e Mussolini para seu inferno. Precisamos dar as mãos. O mal ainda impera e aqui é muito pior. Nas ditaduras o inimgo é visto como tal. Aqui ele nem mesmo é visto. Poucos aqui sabem que são controlados pelo desejo de outros. Racismo e desigualdade. Já não chega? Menos dinheiro, mais humanidade. Menos competição, mais amor. Que todos dependam apenas de si para chegarem ao seu sonho.

Sonhos que nem menos existem mais. Tudo isso por causa do homem de colarinho branco que estoura sua champagne. Democracia? Isso nunca deu certo. Está na hora de nos prepararmos fisicamente para confrontar sem piedade esse mal.

Pense bem. O futuro do mundo está em suas mãos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Àquelas pessoas...

É-me difícil compreender aquelas pessoas
Calam por nada
Manifestam-se por tudo
Entreolham-se como se fossem normais
Como se fossem iguais a mim

Não sou nada senão uma bomba
Uma personalidade estupidamente explosiva

Aquelas pessoas não são normais
Elas pensam que são iguais a mim
Mas em verdade elas são melhores

Elas não querem saber dos meus olhos
E nem do meu caráter
Querem os carmas dos meus antepassados
Tatuados no meu sobrenome

Eu não sou nada senão derrota
Eu não sou nada senão vitória

Aquelas pessoas são predestinadas
Eu, um construtor
Destruo torres ideais
Parábolas
Profecias
Manchetes de jornais

Aquelas pessoas são felizes
Eu, um destruidor
Construo babilônias
Questiono verdades

Aquelas pessoas falam sobre verdades
Dizem-me mentiras
Rezam sempre as mesmas cartas

Aquelas pessoas não ligam para o olhar
Importam-se com a minha tatuagem
Mas eu não tenho um sobrenome
Por isso de nada vale a minha presença

Por não ter nada
Não valho nada
Por isso não sou nada
Por não ser nada sou uma bomba
Uma personalidade estupidamente explosiva
Arrebento templos
Mentiras
Verdades
Valores
Sociedades
Conceitos
Personalidades
Livros
Parábolas




POR ALEX CALDAS (@Alex_Caldass)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entrelinhas

''Sempre precisei de um pouco de atenção...
Acho que eu não sei quem sou, só sei do que não gosto''

A poeira ainda presente no ar
Impedindo-nos de pensar
E nós, sem paciência
Atropelamos a consequência

A causa não é a questão
Olhamos apenas a imperfeição
Cegos, tolos, mascamos chiclete
Enquanto o vento corta o tempo

Ponho minhas mãos no bolso
Esperando encontrar uma solução
Esperança no olhar do moço
Aguardando um aperto de mão

Quem dirá que é impossível?
A opinião alheia?
será possível
Nos encontrar na lua Cheia

Pippo Pezzini





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu tentei...



Cavalheiros, eis vos digo que definitivamente tentei
Esforcei-me, abri a mente, me libertei
Questionei minhas ideologias, as critiquei
Sim, respeitáveis homens, eu tentei

Ao redor, todos aqueles a quem amo me criticaram
Piorando então alguém que além de tudo, muitos problemas tem
Num furacão de idas e voltas, me lancei
Busquei força ao meu redor, ó sim eu tentei

Sendo bom ou mau, refleti meu passado
Mesmo assim algo permanecia errado
Todos na mesma estrada, então eu desviei
Sim, engolindo meu orgulho, eu tentei

Vi então minha tentativa em vão
O ódio, o preconceito, a frieza, não, nada mudou
Sentindo nojo de mim, dera um passo para trás para ser como vocês
Sim ó cidade eu tentei

Nada mudou, pois o lobo ainda estava em mim
Um lobo que não aceitou o cativeiro
Que não se humilhou e tapou os olhos por dinheiro
Diante dos senhores conservadores, ser um de vocês eu tentei

O espírito de águia em mim continuou
A injustiça e hierarquia maléfica jamais hão me amolecer
Com lágrimas nos olhos e coração apertado ainda fiquei
Mas senhora futilidade, a ti para sempre chutei

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

À minha e à tua infância: um texto de quando eu era criança...

A infância é, talvez, das fases da vida, a mais bela. Digo isso, pois tenho vinte e um anos de idade, e uma baita saudade daquele tempo em que eu podia perguntar tudo, dizer tudo o que queria e, não obstante, podia brincar por horas a fio. Lembro-me que naquele tempo eu acordava cedinho – eu não tinha preguiça – e ia para a casa dos meus primos, e lá ficava até a hora do almoço. Nós tínhamos uma casa na árvore, que o meu tio fizera para nós. Lembro-me bem daquela árvore; era um chorão; tinha as folhas finas e seus galhos eram como cascatas de cor verde. A casa era de madeira, tinha uma escada para subirmos, e uma corda para descermos. A corda era grossa e transada, daquelas utilizadas em navios, que o avô dos meus primos trouxera do porto de Rio Grande, há muitos anos.

Recordo-me, também, que o meu tio-avô, ou melhor, o avô dos meus primos, tinha cinco vacas e uma égua, que ele criava num potreiro que ficava bem pertinho da minha casa. Esses potreiros não existem mais nas cidades grandes, aliás, nem lá em Vacaria, onde eu morava. O terreno do potreiro foi comprado por uma construtora, e lá, será construído um condomínio. Mas naqueles tempos de ouro, eu e meus dois primos armávamos uma barraca no meio do campo e lá acampávamos. Tínhamos um despertador daqueles bem velhos, e o programávamos para acordar às 04 horas da manhã. Quando escutávamos aquele “triiiiiiiiiiiinn, triiiiiiiiiiiinn, triiiiiiiiiiiinn”, pulávamos em questão de segundos, da cama. Então, íamos até o galpão, onde o meu tio-avô tirava leite das vacas, e lá, saboreávamos um delicioso camargo. Ainda sinto o cheiro do pasto umedecido pelo orvalho; ainda me lembro de como era lindo ver o por do sol sentado na grama molhada.

Às vezes, eu pegava minha bicicleta – aliás, bicicleta é coisa rara nas cidades grandes – e ia para o sítio de uma tia da minha mãe. Eu pedalava mais ou menos três horas; no caminho, eu ia observando os campos e as flores; lembro-me das marcelas na beira da estrada, dos quero-queros, dos bem-te-vis e dos tesoureiros.  Isso são coisas que agente não vê nas cidades grandes. Quando chegavam as férias do colégio, eu ficava até uma semana no sítio; andava a cavalo, pescava e fazia aventuras na mata. Lá, no sítio, eles tinham plantação de bergamota, ameixa e laranja.

Eu tinha um cachorro grande e bonito, mas que me mordia sempre. Tenho, até hoje, duas cicatrizes de suas mordidas. Mas eu amava tanto aquele meu companheiro, que nem dava bola quando ele me machucava. Acredito que os amigos devem perdoar uns aos outros. O nome do meu cachorro era “Loiro”, ele era branco com manchas amarelas. Ele pulava em cima da minha cama e lambia minha cara – foram os melhores bons-dias que recebi até hoje -, naquela época, eu não achava aquilo nojento, pelo contrário, adorava. Eu tenho saudade daquele meu amigo. Ele morreu por que alguém jogou água fervendo nele. Nós chamamos o veterinário, passamos todos os remédios possíveis, mas não adiantou, ele se foi. Eu me lembro do dia em que ele morreu; tinha feito sol; quem o encontrou foi o meu irmão; ele morreu atrás da minha casa e nós o enterramos ao lado de um pé de Butiá, que tinha no quintal. Passados uns quatro anos, eu tentei desenterrá-lo, mas não encontrei mais nada lá. Eu ainda tinha esperanças de reencontrá-lo, e foi então que, pela primeira vez, eu percebi que aqueles que se vão, não voltam, não importa o quanto choremos e resmunguemos.

Jamais me esquecerei da minha professora da 3ª série. Eu estudei na escola Irmão Getúlio. A minha professora dava todos os dias, de tarefa, uma redação. Cada dia era um tema diferente; cada redação era uma história encantada; cada frase que eu escrevia transportava-me a um mundo totalmente novo. Mas a melhor parte ficou para o final; quando já estava encerrando o ano letivo, minha professora reuniu todas as nossas redações e mandou encadernar.  Eu escrevera um livro! Um livro de criança, com histórias de criança, com sonhos de criança, com delírios de criança. Eu guardei esse livro por muitos anos e com muito zelo, mas quando me mudei para Caxias do Sul, acabei perdendo-o na mudança. Mas, nessa época, eu já sabia que aqueles que se vão, não tornam, por isso, suportei tranquilamente essa perda, mas confesso, com um sincero pesar. Eu ainda guardo na lembrança praticamente todas as histórias daquele livro encantado, e sempre que vejo um emaranhado de papéis no chão, eu olho auspicioso, como se ainda tivesse uma esperança de reencontrar a minha obra prima.

Tenho lembranças boas das minhas viagens para o Rio de Janeiro. Eu, meu pai e meu irmão, íamos pescar na praia de manhã cedinho; levávamos também uma pipa – aqui no sul as crianças não brincam disso – . Uma vez, nós pescamos vinte e quatro peixes, e a minha avó, fez todos à milanesa, na hora do almoço. A minha avó tinha dois Jabutis e eu os adorava; ficava imaginando como seria ter uma armadura nas costas.

Já estava com onze anos de idade, quando os aviões se chocaram contra as torres gêmeas. Também não me esquecerei jamais daquele dia; eu não perdia um capítulo do Dragon Ball, mas naquele dia, naquele capítulo que daria novo rumo ao desenho, a Globo passou a manhã inteira transmitindo aquela chatice – pra mim e para todas as outras crianças, aquilo era sim uma chatice –, e aquilo me deixou muito aborrecido, nem consegui me concentrar na aula depois. Mas o pior estava por vir. No outro dia, a Globo não repetiu o capítulo interrompido, prosseguiu a saga, deixando-me totalmente desinformado, sem saber o que havia acontecido no desenho. Insta ressaltar que naquela época eu não tinha internet em casa, portanto, tive que esperar dois anos para esperar o desenho passar novamente na televisão. Insta ressaltar, que naquela época eu não tinha Orkut, Facebook, nem tampouco Twitter.

Quando criança, eu vi o Brasil ganhar a Copa do Mundo contra a Itália e, quatro anos depois, vi o Ronaldinho ter uma convulsão, e toda a nossa nação assistir atônita a derrota para a França do maestro Zidane e, do ainda jovem, Thierry Henry.

São algumas lembranças que eu tenho dum tempo bom, que, certamente, não tornará. Hoje em dia tenho a impressão de que o meu tempo é cada vez menor; sinto-me esgotado na hora em que acordo; não colho mais frutas no pé; jogo Play Station ao invés de brincar de esconde-esconde. Hoje em dia, eu tenho pré-conceitos, responsabilidades e alguns dogmas. Hoje eu tento reviver em mim os “por-quês”, as dúvidas, a alegria. Hoje eu não tenho mais tempo para assistir o desenho do Chaves; chego em casa à noite, e só me resta o Big Brother Brasil – a espetacularização da imbecilidade –. Quando eu falo para alguém sobre o desenho do “Pequeno Príncipe”, ninguém mais lembra; quando eu falo em calça colorida, me falam do Restart, e eu, boboca, digo que sinto saudades dos Mamonas Assassinas – quem amafagafar os mafagafinhos bom amafagafinhador será –.Eu sinto saudade do tempo em que eu comprava um picolé com R$ 0,50, e que o picolé era minissaia – laranja com uva –, e não, Frutare natural por R$3,00.  Sinto saudade da Coca-Cola com garrafa de vidro, do refrigerante Teem e dos cartões telefônicos para coleção.

Hoje eu tenho vinte e um anos, e a certeza de que aquilo que realmente se vai, não há de tornar, razão pela qual, eu ando por aí, às vezes como um doido, sentando nos bancos e roubando flores dos jardins, pois sei, que daqui alguns anos, sentirei saudade desse tempo, do meu quarto e dos colegas de faculdade. Por óbvio, lá na frente, irei dar risada de momentos como esse, porque a felicidade só pode ser encontrada no passado, uma vez que o presente não existe e o futuro oferta-nos tão somente preocupação.
POR: ALEX CALDAS (Alex_Caldass)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Des morts vivants








Meus olhos agora se fecham, mas, quem sabe assim, eu possa sonhar com o intangível e, da mesma sorte, confortar minha alma com um dogma religioso, alicerçando todos os meus feitos sob a égide do ignoto.


Meu corpo agora se estende, mas, quem sabe assim, eu possa deleitar-me com o sopro da eternidade e, desse modo, acreditar até o último segundo, que as mazelas que ora me afligem, são passageiras.


Minhas mãos são cruzadas e sobrepostas em meu corpo, como em sinal de oração, para que, quem sabe assim, eu possa receber o perdão divino pela minha heresia.


Minha pele agora está fria, como um granizo pálido, mas, quem sabe assim, eu consiga distanciar-me do fogo ardente, e dos desejos insanos e pecaminosos.


Minha voz se cala, para que, quem sabe assim, eu consiga escutar os louvores, e, não obstante, neles crer, e, então, tornar-me alguém mais sensato e compreensível, como "uma parte da maioria".


Meu corpo agora vive sem vida, para que, quem sabe assim, eu possa sentir-me "parte da prole do ignoto".


A ritualística fúnebre é, no momento, a única solução para meu carma.


Talvez, a minha morte seja a transformação de tudo em que acredito, ou, até mesmo, a prova cabal de que aquilo que eu nunca acreditei, de fato "nunca existiu".


Uma rosa com espinhos envenenados é, em verdade, o que eu agora desejo.


Consumir-me num sofrimento que há muito me acompanha é, em verdade, o que se agora faz necessário.


É necessário que eu deguste o amargo do absurdo numa absurdeza ímpar, que é minha existência, a qual, "eu não acredito possuir uma essência".


Sopro poesias desbotadas à beira do abismo quando, o que realmente eu desejaria fazer, era atirar-me às mais remotas e leviatânicas profundezas.


Deixo em meus manuscritos, gotas de sangue podre, envelhecidas vinte e um anos, numa adega de hipocrisia.


Fecho, agora, o caixão dos meus desabafos e, nos calabouços da alma, no âmago da minha existência, brota agora, na primavera, uma flor sem essência.









POR ALEX CALDAS (@Alex_Caldass)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Apartheid Caxiense



Sim, é mais fácil dizer que não.

Observamos basicamente em países como EUA e África do Sul, a segregação social e racial, talvez legalmente já extintas, mas tecnicamente nítidas e talvez imortais. Não podemos deixar de falar da Europa e de suas tantas acusações de racismo e xenofobia, talvez herdadas da visão nazista. No entanto esse fato é nitidamente menos valorizado em uma região específica de um país que diz justamente pregar a igualdade.

O ponto de vista republicano norte-americano, juntamente com o fascismo de Mussolini foram visões ideológicas que cruzaram o oceano e desde sempre existiram na América. A exceção é que existe um país que é endeusado por sua dita “mistura e igualdade”, a par de qualquer possibilidade dos radicalismos já citados. Logicamente, é importante salientar que realmente, perto de lá, vemos aqui um radicalismo talvez menor. No entanto existe um lugar aonde talvez não seja tão menor assim.

Refiro-me ao estado do Rio Grande do Sul primeiramente. Colonizado por povos de tradição conservadora, como o italiano e o alemão, vemos não poucos casos de diminuição de raças como índios, negros e mulatos. Indo mais a fundo, chegamos à legítima apartheid racial e social. Refiro-me à Serra Gaúcha, mais especificamente, Caxias do Sul.

Chegue nesta cidade e faça quantos testes quiser. Use roupas simples como calção e tênis e entre em lojas de nível social maior. Observe a frieza do atendimento. Pior ainda, experimente e não leve nada. Faça outra experiência. Caso seja negro, tente manter qualquer contato com coisas como universidade, festas e afins. Fale com gírias. Use tranças rastafári.

A prática irá mostrar de maneira nítida como a própria educação vinda do lar demonstra tais absurdos. Pais que fazem piadas com raças aos filhos não medindo às consequências. Pais que desvalorizam as classes menos favorecidas. A busca por status vem de berço. Isso infelizmente causa consequências cada vez mais graves.

O pobre, tanto negro quanto branco, acaba tomando caminhos prejudicais tanto para ele como para a sociedade. Pode ser que desiludido pelo preconceito ou ansiando pela inclusão ele largue seus estudos para trabalhar e obter seu tão sonhado carro, conquistando assim o prestígio desejado. Ou então ele gaste seu salário suado numa roupa cara, apenas para ser como “eles”.

Sim, o famoso carro.

Não sei basicamente porque, mas sinto uma vontade gigantesca de rir quando me lembro disso. Isso me dá vergonha. Deveria chorar. Mas rio, pois acho irônico. Acidentes causados pela demonstração de poder e ascensão. Afinal, aqui você não é nada se não possui carro ou trabalho. Nitidamente um vagabundo.

Bairros pobres isolados. Caras de desdém nas universidades. Autoimagens de deuses, com suas camisas sociais a que denomino como “tapadores de neurônios”. E pior. Ensinados pelos pais. Demonstração nítida do sistema. Valorização extrema da cultura italiana e desdém total por culturas africanas. Pior. Chamadas de promiscuidade.

Algo deve ser feito. E logo.

A isolação não é local como na África do Sul.
É mental, psicológica.
Pior.

Defino-lhe como PEDAGÓGICA.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Poder

Sim. Eu o senti.

É formidável. Gracioso e corrompedor.
Talvez apenas por este único motivo eu não esteja em lágrimas agora.
De qualquer maneira, seu gosto é melhor do que qualquer beijo.

Os homens a milhares de anos o disputam. O homem poderoso é o ápice do desejo humano, tanto masculino (aquilo que os homens querem ser) quanto feminino (aqueles homens que as mulheres querem para si). Certos poderes levam tanto vantagens quanto desvantagens perante outros.

Alguns como músculos e dinheiro têm seu valor único mas muitas vezes tornam-se ineficazes contra outros como beleza física e sabedoria. Como qualquer arma, devem ser manuseados com extrema cautela para que não machuquem seu próprio ostentador.

Pude concluir e experimentar um dos mais audacioso poderes: a manipulação. Conversar com alguém "lendo sua mente". Hipnotizadores, telepatas e outras tantas lendas sempre aspiraram tal efeito que é completamente e cientificamente possível com alguma prática e o conhecimento devido.

Sem dúvidas, corrompe. Principalmente quando aquele que o ostenta possui um ego narcisista que torna seu caráter frágil. Vemos roubos de políticos, traições em relacionamentos e tantas outras desmascarações que, além de mostrar a idiotice dos portadores, ainda os prejudicaram de maneira profunda.

O dinheiro? Bem, eu sorrio para ele. Afinal, bem poucos sabem usá-lo. Os homens jovens e sua insegurança constroem sua autoestima através dele. E quando o perdem, rumam para o suicídio, como se ele pertencesse fisicamente ao seu próprio corpo. Como uma autêntica droga, o vício aumenta conforme o uso.

As mulheres lindas e vazias. Sua beleza por si só, consegue qualquer coisa e em virtude disso, muitas não vêem motivos para moldar seu conteúdo interior. Um dia então a beleza se vai e a mulher cai em profundo esquecimento e vazio existencial.

O que dizer do sábio? Aquele que opera seu poder com maestria, astúcia e de maneira fria e calculista. Chega até o topo para dificilmente sair. Sempre com a dúvida e a crítica ativas, não apegando-se a nada material e sim ao amor daqueles que o rodeiam. Talvez este seja o ponto máximo do ser humano.

A dor no seu coração é forte
Mas tu és mais
Teu colega tens mais dinheiro
Mas tu és mais esperto
Não te beijei porque falaste que não
Te virei as costas quando pediu minha mão
És tão pouco, distante de como tê vês
Ainda assim roçaste teus lábios pensando em mim
Pois sou aquele que lê
E tu faz o que estou então afim
Descarto-te como uma folha de papel
Talvez hoje meu destino seja o motel

domingo, 25 de setembro de 2011

É mesmo para ter vergonha!

É mesmo para ter vergonha.

No domingo 18-07, eu participei, junto com outras pessoas, de uma manifestação organizada pelo Movimento FAZ AGORA, que visava a combater a corrupção. O movimento, posteriormente, foi divulgado pela Rádio Caxias e pelo Jornal Pioneiro.
Ocorre que, ontem, um conhecido perguntou-me se eu não tinha “vergonha” de ir me manifestar, gritar, fazer “fiasco”, na frente de milhares de pessoas. Foi, pois, nesse momento, que eu respondi o seguinte: eu tenho vergonha de ver o meu país ser lembrado no exterior, como o país da malandragem, do jeitinho brasileiro, onde tudo pode ser feito e “não dá nada”. Tenho vergonha de ver meu país ser reconhecido internacionalmente pelas suas mulheres praticamente desnudas e com bundas lindas. Tenho vergonha de saber que muitos turistas aportam na Terra de Vera Cruz à procura de prostitutas crianças e adolescentes, muitas, inclusive, ainda virgens. Tenho vergonha de que digam lá fora que no meu país está o pior presídio da América Latina. Tenho vergonha de ver um estrangeiro dando a seguinte declaração: “eis o porquê de os brasileiros jogarem futebol tão bem: eles não estudam, só jogam bola, desde criancinhas ”. Tenho vergonha de saber que o meu país ainda é um dos mais desiguais do mundo. Tenho vergonha de que digam por aí que o meu país é o país do “mensalão”. Tenho vergonha de ter um ex-presidente, dizem por aí, que uma quantia razoável em dinheiro para cada parlamentar que votasse a favor de uma emenda constitucional que permitia a reeleição. Tenho vergonha de viver em um país onde os criminosos da ditadura ainda não foram punidos. Tenho vergonha de ter meu país internacionalmente conhecido pelo carnaval. Tenho vergonha de viver no país com a maior tributação mundial e, ao mesmo tempo, não ter saúde, educação, alimentação, saneamento básico, acesso a cultura e lazer de qualidade. E, o pior de tudo, eu tenho vergonha de fazer parte de um povo que aceita tudo isso de braços cruzados e ainda vota no “Tiririca” como forma de protesto. É disso que eu tenho vergonha!
Quero, desde já, frisar que não tenho nada contra a pessoa do Tiririca. Mas eu tenho a certeza absoluta de que o povo brasileiro errou ao colocá-lo lá. Eis o porquê eu digo isso: para aqueles que não sabem o voto para deputado é proporcional. O que isso significa? Se você vota em um determinado candidato, este será somado ao de outros candidatos do mesmo partido (ou coligação). O voto para cargos do Executivo e para senador não é transferível. Vai para aquele nome e ponto. Nas eleições para deputado, um voto é agregado aos de outros nomes da lista (que pode ser um partido ou coligação). Sendo assim, o candidato Tiririca, com um total de 1.353.820 votos, levou consigo outros três deputados que, provavelmente, não seriam eleitos – porque a vontade do povo, evidentemente, era de que eles não fossem postos no poder –. Novamente, uma pergunta: o que eu quero dizer com isso? Estou afirmando que quando o povo votou no Tiririca, como forma de “protesto”, ele acabou por dar um tiro no próprio pé, ou seja, acabou prejudicando a ele mesmo, afinal, sabe-se lá quais eram os interesses daqueles que foram eleitos “nas costas do nosso debutado vulgarmente conhecido como abestado”.
Voltando ao tema principal, quero dizer que eu não tenho vergonha de ir para a rua e “fazer fiasco”. Muito pelo contrário, eu acho que vergonhoso é assistir o holocausto e ficar calado. Vergonhoso é aceitar que os parlamentares votem um aumento astronômico no seu próprio salário (61,8%). Vergonhoso é aceitar que escolas públicas não tenham sequer giz para que os professores possam lecionar. Vergonhoso é aceitar que mesmo já tendo pagado 1 trilhão de reais em impostos, até setembro de 2011, o brasileiro não tem saúde pública decente. Vergonhoso é ter de aceitar dizerem que o Palocci é um gênio do empreendedorismo e que o aumento do número de Vereadores é para fortalecer a democracia.
Eu percebo uma hipocrisia tão grande nas pessoas, uma falsa moralidade. Chego a perder as contas de quantas pessoas reclamam do nosso governo sentadas em poltronas confortáveis, sendo imbecilizadas pelas Redes de Televisão Globo e Record – e outras também, mas duas essas são as com maior audiência – . Já dizia o ditado: reclamar é fácil! Pois bem, eis que cheguei onde queria: as pessoas apenas reclamam, reclamam e reclamam, mas não agem. E, como se não fosse o bastante o simples ato de permanecer inerte - o que já é uma afronta ao ideal de Democracia - essas pessoas ainda riem e debocham da cara dos inconformados que saem para as ruas com o fito de protestar contra todas essas barbáries.
Então, para não me delongar muito, deixo a seguinte reflexão para os leitores: quem deve sentir vergonha? Aquele que sai para as ruas em busca de dias melhores? Aquele que não aplaude essa onda gigantesca de corrupção e, por isso, protesta? Ou aquele que permanece inerte frente ao absurdo que estamos cultuando?
Eu acredito que temos duas opções: ou aplaudimos a corrupção ou protestamos contra ela. Aquele que fica sentado, apenas reclamando em silêncio, de maneira indireta está aplaudindo tudo o que critiquei até agora, afinal, nada faz para mudar a realidade. Eu escolhi protestar, contudo, sou democrático e respeito aqueles que creem não ser a corrupção o motivo de o povo brasileiro – em sua grande maioria – não ter educação, alimentação, saúde, cultura, lazer e segurança dignas de quem já pagou mais de 1 trilhão de reais em impostos até o mês de setembro de 2011.





Por Alex Caldas (@Alex_Caldass)



terça-feira, 13 de setembro de 2011

FAZ AGORA




DIA 18 DE SETEMBRO, SAINDO DA FRENTE DA FACULDADE DA SERRA GAÚCHA ÀS 16H00MIN, RUMO À PRAÇA DANTE ALIGHIERI.

Onde nós estávamos quando começaram a nos fazer de idiotas? O que fizemos quando aprovaram o aumento do número de Vereadores na Cidade de Caxias do Sul? Qual nossa reação quando os parlamentares aumentaram em 61,8% o seu próprio salário? Provavelmente, nessas oportunidades, muitos de nós estávamos sentados em poltronas confortáveis, outros, trabalhando em condições subumanas, enquanto a maioria das personalidades públicas – que nós colocamos lá – estavam envolvidas com esquemas de corrupção.
Já está na hora de mudarmos essa realidade! O POVO tem poder, basta exercê-lo. Diz o sábio ditado: a UNIÃO faz a FORÇA. É nosso DIREITO exigir conduta honesta daqueles que colocamos no poder e, quando tal comportamento não acontece, é nosso DEVER protestar contra isso. Como? Sozinhos, nunca conquistaremos nada. O corrupto Presidente Fernando Collor de Mello só perdeu o trono porque o povo, UNIDO, com as caras pintadas em sinal de protesto, fez com que isso acontecesse.
O movimento FAZ AGORA objetiva combater corrupção e a falta de ética dos governantes. Para isso, convocamos você a participar do protesto, afinal, sozinhos não mudaremos nada, mas, se nos unirmos, a vitória é certa.




“vem vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe FAZ AGORA, não espera acontecer”








Por Alex Caldas (@Alex_Caldass)

sábado, 10 de setembro de 2011

eee, ôô. Vida Gado. Povo marcado ê, Povo Feliz


Abro o jornal e me deparo com sujeiras políticas varridas para baixo tapete, este tapete que podemos nomear de imprensa, interesse partidários e tantos outros sujeitos que nessa oração fariam parte. Colunistas criticaram o fracasso dos protestos anti-corrupção, mas não lembro de ter-los visto na referente mobilização de 15 ilustres pessoas. Outros que não tiveram escrúpulos em difamar os internautas ativistas que ficam atrás dos perfis de redes sociais que não compareceram também. Toda Burguesia presente no maravilhoso, esplêndido evento da escolha da mais nobre pisadora de uva da festa da uva de cacia, nem sequer levantaram a bunda dos sofás, nem ao menos para passar de carro importado e debochar dos caras pintadas. Nem isso.

O que vejo, é um bando de hipócritas que usam de artifícios para mascarar insensatez, displicência para com os outros.
Posso estar sendo repetitivo, chato, mas essas questões me perturbam todo dia, todo dia que tenho que trabalhar para pagar impostos, enquanto os políticos decidem aumentar seus megasalários para 62%. Me revolto todo dia que, que assisto jornais e vejo aposentados morrendo nas filas de espera dos hospitais, porque médicos que juraram junto a hipócrates em dar a vida para salvar pessoas, sobre qualquer circunstância, param de trabalhar porque são obrigados a cobrar salários dignos.

E o paradoxo, é que eu nem sei quem é o maior culpado;
Sou eu? Que não tenho o que fazer, e fico aqui igual a um idiota, criticando a todos.

É o governo? Que faz o que quer, desviando dinheiro público, deixando buracos na educação e saúde;

Todos nós? Que ficamos estagnados na nossa adorável e prazerosa zona de conforto, e agimos como um rebanho de gados que pastam todo dia.

é a mídia? Que nos veicula apenas o que nos mantém burros, e usam de entretenimento para enterrar de vez nossa capacidade de questionar;

ESPERO QUE NO PRÓXIMO PROTESTO TODOS SAIAM DE SEUS CASULOS E VENHAM PARA AS RUAS!

CONVOCAÇÃO: No dia 23, audiência pública no cristovão de mendonza, as 18:00. Sobre a possível instalação da extensão da UFRGS em caxias.

A todos que deixam de estudar por não ter condições de pagar o absurdo que nos é cobrado, a todos que conseguem estudar, mas tem que depositar 80% do salário na conta da UCS, FSG e afins.

OBS: Tem que mudar a forma de ingresso, aumentar as cotas para estudantes de escola pública, para não acontecer como em porto alegre, que playboy filhinhos de papai entram por ter um ensino melhor e poder pagar cursinhos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

De Auschwitz ao Rio de Janeiro













Ontem, por volta das 23h00min, quando cheguei da Faculdade, resolvi ligar a televisão e, eis que, de repente, a reportagem sobre economia, na Globo News, foi interrompida, para que uma repórter falasse, ao vivo, direto das favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
A intervenção versava sobre um confronto entre Policiais Militares e bandidos que, novamente, assombrava a cidade maravilhosa. Li na internet, que o exército novamente adentrou as favelas com a missão de restabelecer a paz e fazer cessar os confrontos.
Me parece um paradoxo, ou seja, vejo que tudo isso é um tanto contraditório. Alguém aí já parou para se perguntar, de que maneira os milicianos vão acabar com os referidos confrontos? É óbvio, matando os bandidos! Mas e os que não morrerem? Serão, pois, entulhados em presídios superlotados para “apodrecerem” (no sentido literal da palavra) atrás das grades.
E, então, depois de tantas mortes, ressurge aquela velha pergunta: isso – esses assassinatos em massa – resolverá? A violência será banida do Complexo do Alemão? A resposta, também, é velha e notória: lógico que não!
Mas, se já é sabido que promover morticínios não resolve o problema da violência, por que continuamos a aplaudir essas condutas? Alguém aí já parou para se perguntar, por que razão o Rio de Janeiro está sendo – pasmem – “pacificado”? Será, realmente, que as autoridades públicas estão preocupadas com a população carente que carece, não só, mas, também, de segurança? Não sei não, mas me parece que, por trás de tamanha preocupação com os moradores daquele complexo de favelas, está o interesse de grandes empresários envolvidos na organização da Copa do Mundo de 2014. Por isso, tantas mortes. Nenhum dos interessados no morticínio está, realmente, preocupado com o fim da violência. O que eles querem, então? Outra vez, a resposta é óbvia: eles querem passar um “blush e uma base” na pele mal cuidada da cidade maravilhosa, para que os turistas – no período em que compreende Copa do Mundo e Olimpíadas – venham, gastem e enriqueçam ainda mais estes pérfidos empresários.
Em certa ocasião, o poeta escreveu o seguinte: “Posso Parecer Psicopata, Pivô Pra Perseguição, Prevejo Populares Portando Pistolas, Pronunciando Palavrões, Promotores Públicos Pedindo Prisões”.
Qual a moral dessa estória? Nenhuma! O senso comum, imbecilizado, há de aplaudir a hecatombe e, não fosse isso o bastante, há de acreditar que realmente essa funesta repressão neoliberal trará resultados consideráveis.
Todavia, eu vos convido a filosofar, deixar, por alguns instantes, de se preocupar com o desfecho da novela, e voltar os olhos para o absurdo que estamos cultuando. Hoje, claro que com uma roupagem holllyoodiana, muito menos agressiva aos olhos da sociedade, eu comparo o Rio de Janeiro aos campos de concentração de Auschwitz, com uma rélis diferença: aqui, os mortos não são Judeus, mas, sim, os filhos do sistema.
Provavelmente, minhas palavras serão terrivelmente mal interpretadas, e os hipócritas por aí dirão que sou louco. Mas, repito uma frase que escrevi no Jornal O Trilho: “o que são os loucos, senão a total ausência do senso comum?”
Há mais de dois mil anos essa moral servil nos diz que temos de ser como cordeiros em um rebanho, que tem suas ações determinadas por um pastor. Mas, para que servem cordeiros, senão para serem devorados pelos lobos?
Já é hora de começarmos a perceber o mundo onde vivemos e nos posicionarmos sobre os acontecimentos deste.
Eu não aplaudo um Rio de Janeiro versão Auschwitz, e você?
Em silêncio, no meu quarto, fico me perguntando: quantos corpos ainda serão enterrados, para que o Luan Santana, a Ivete Sangalo ou qualquer outro que vende música pasteurizada, possa cantar na abertura da Copa do Mundo de 2014?
Alguém, um dia, cantou assim: “tudo é válido, onde quem faz filme pornográfico, vira rainha e tira o material do mercado...”




Por Alex Caldas (@Alex_Caldass)



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Corpo e alma.


Despertei de um sonho psicodélico e escaldante, assistia meu corpo de longe tomando ações que não eram de minha sã consciência. Tentei chegar perto e adentrar minha alma no corpo substancial, mas apenas atravessei como um fantasma. O que tinha acontecido? A última recordação que havia em minha memória de curto prazo, era de estar tonto no escurecer da noite na praça central e sentir perder as forças e desabar. Não sei o que ocorreu, alguma substância química, ou um projetil que havia estampado em minha nuca.

Não importava, agora eu via meu corpo andar involuntário, estava congelado com a cena.

Aquelas cenas de filme hollywoodianas que você se sente no filme, passando pela pele da vítima, assim eu beirava a loucura; E como nos filmes eu não tinha controle, era tudo planejado.

Corri enlouquecidamente para descobrir o paradeiro onde me encontrava, eu(alma), e eu (corpo).
Já tinha visitado aquele local em sonhos, mas estava escuro demais, minha visão tentou se adaptar, mas sentia a tontura afetar tudo. Inspeciono as paredes, e percebo que estou num Hospital. E meu incontrolável corpo está procurando algum instrumento desesperadamente.
Mas o que diabos estou fazendo num Hospital de madrugada?
Resolvi sair daquele local, estava estranho demais.

Dirigindo a até a saída encontro a porta no chão. Fiquei louco de vez.
Invadindo um Hospital Tenebroso e assustador a procura de quê?
Dei uma última olhada para trás, e me assisti derrubando todos os armários alucinadamente, gritando - ''onde está a minha alma... onde está a minha alma?''
Imóvel, olhando para aquele cena, meu corpo tremia como num ataque de convulsão.
O medo se tomou conta da minha racionalidade, e calma.

Resolvi sacudir meu corpo, como se tentasse acordar-lo do surto.
Mas ele nem sequer notou minha presença.
Eu gritava como um louco, já estava no hospital psiquiátrico, só faltava a loucura invadir minha sã consciência.

De repente, três enfermeiros correm em minha direção e eu paralisado, e meu corpo entrega minha posição, - '' Ali em baixo das cadeiras, é ele!!!''
E eu acordo novamente, suando frio.
Precisava ter certeza de que não era outro sonho, e que meu corpo estava unido a minha alma.
Olho para espelho, e não enxergo nada.


''Um conto que serve como crítica as clínicas que ainda agem com o pensamento de hospitais psiquiátricos, humanização já a todo atendimento as doenças psicológicas.''

Pippo Pezzini - @pippopezzini

domingo, 4 de setembro de 2011

Semana do Hip Hop e escolha da Rainha da Festa da Uva











Bem-vindos à Caxias do Sul, a capital da ganância, onde a sua camisa pólo da Lacoste vale mais que o seu caráter e, o lucro do seu patrão, é mais importante que o bem-estar da sua família.
Ocorreram, nesse sábado, dois acontecimentos em Caxias do Sul. Um deles era o encerramento da Semana Municipal do Hip Hop e, o outro, era a Escolha da Rainha da Festa da Uva.
No primeiro, estavam presentes jovens e adultos, pessoas, em sua maior parte, que habitam as periferias da nossa cidade. No segundo, estavam presentes os representantes da elite caxiense, além de diversas personalidades públicas que se dirigiram até lá para prestigiar um dos eventos mais importantes de cultura na Serra Gaúcha.
Eis, pois, a minha crítica: eu não vi nenhum representante do poder público no encerramento da Semana Municipal do Hip Hop, além da Vereadora (prefiro não citar o nome) que apoiou o projeto. Onde estava o nosso Prefeito, José Ivo Sartori? Provavelmente, na escolha da Rainha da festa da Uva.
Na celebração do Hip Hop, como atração principal, estava o Poeta, Rapper e Escritor GOG. Este homem já recusou cinco convites para aparecer na Rede Globo! Por que será? Também como atração principal, estava o grupo Inquérito, do qual o Rapper Renan faz parte. Esse tal Renan, além de Rapper, é Poeta e Professor de Geografia. Esse Renan alfabetiza, gratuitamente, crianças que trabalham em plantações de cana-de-açúcar e, também, em habitamentos de sem-terras. Então, eu me pergunto: onde estavam as personalidades públicas para prestigiar esses cidadãos que lutam pela nossa pátria amada, sustentada e adorada no Hino Nacional? Provavelmente, as personalidades públicas estavam, tão somente, com os olhos voltados para “o jogo de interesses” que envolve a Escolha da Rainha da festa alhures mencionada.
Já vi, há algum tempo atrás, alguém dizendo que Caxias era a capital da cultura. Pois bem, reflitamos sobre o tema. De qual cultura nossa cidade é a capital? Da cultura da avareza? Da mais-valia? Da exploração? Dirão por aí que não! Dirão por aí que Caxias tem a Semana Municipal do Hip Hop e outras tantas manifestações de cultura, além, é claro, da Festa da Uva, aquela que representa a cultura italiana, a mais forte em nossa região.
Sim, claro, a cultura italiana! A cultura dos cabelos lisos, loiros e dos olhos claros. Mas, seria só isso? Alguém mais aí lembra daquela máxima que norteia muitos descendentes de imigrantes: “negri tutte ladre”?
Infelizmente, aqui, aquele que tem SILVA no sobrenome, ou a pela mais escura e mora distante do centro, muitas vezes é taxado como bandido. Ser negro é sinônimo de ser criminoso, para uma grande maioria nesta cidade. Mas, por óbvio, haverá de aparecer algum hipócrita e me dizer que isso é uma falácia. É lógico que é. Nem todos os negros e moradores de periferias são ladrões. É claro que não!!! Aqueles que não são criminosos (uma maioria absoluta) estão condenados a trabalhar quase que de maneira escrava dentro de um submundo metalúrgico. Ou, vocês, que tem oportunidade de freqüentar uma universidade, estão acostumados a ver essas pessoas que pertencem a esse grupo social lá dentro? Me contem, quantos negros vocês conhecem que estudam ou são professores no Ensino Superior? A resposta é triste: pouquíssimos.
Mas qual o problema com isso? O problema, repito, é que nenhuma personalidade pública foi prestigiar o encerramento da Semana Municipal do Hip Hop. O problema é que os olhos não estão voltados para as periferias. O problema é que, em Caxias, só é realmente valorizado como cultura o evento que tem participação da aristocracia caxiense.
Para as personalidades públicas, não é conveniente ter uma população educada, pois, se assim o fosse, ficaria mais difícil ludibriar o povo e comprá-lo com cestas básicas. Percebo, com tristeza, que as personalidades públicas somente passam a se interessar com aqueles que vivem em condições subumanas, quando estes se revoltam e começar a atentar contra a segurança daqueles que moram no centro, contra aqueles que freqüentam os bailes no Juvenil. Mas o que fazer com aquele “bandido” que assaltou o filho do empresário “fulano de tal”? A resposta é simples: devemos prendê-lo! Já dizia um trecho de uma música do Grupo Inquérito, que se apresentou no encerramento: “os talentos não são revelados, são presos”.
O assunto trazido à baila permite-nos discorrer mais de mil páginas, mas, ei de me deter no assunto principal, ou seja, nenhuma autoridade pública esteve presente no encerramento da Semana Municipal do Hip Hop. O que isso significa? Significa que, na “na cidade da avareza”, para muitos, ainda reina a máxima “negri tutte ladre” e, enquanto isso perdurar, não há falar em reais melhorias para a população carente e, tampouco, em valorização da mesma.
Chega a ser um pouco utópico imaginar, mas eu gostaria de ver o Prefeito da cidade, um representante do Legislativo, do Ministério Público e outro do Judiciário prestigiando os grafiteiros que dão vida aos muros mortos do cemitério de Caxias do Sul, logo ali na “vila”.
Enquanto isso não acontece, prossigamos nossos debates inúteis sobre segurança pública e superlotação dos presídios. Mas eu deixo um aviso: do jeito que estão as coisas, o número de habitantes da PICS e do Apanhador só tende a aumentar e, a violência, também. Movimentos que visem a mostrar um novo caminho para os jovens carentes devem ser realmente prestigiados, sob pena de não termos mais grades suficientes para trancarmos tantos monstros gerados pelo sistema.




Por Alex Caldas (@Alex_Caldass)



sábado, 3 de setembro de 2011

Quem é Deus?















“Nos perderemos entre monstros, da nossa própria criação; ficaremos acordados, imaginando alguma solução...”

As vezes, eu acho que a ignorância é uma virtude; seria, pois, muito mais fácil, se eu pudesse simplesmente orar para um deus qualquer resolver meus problemas. Mas não posso. Já não estou mais preso aos grilhões da ignorância.

É assombrosa a sensação de baixeza que atinge o homem, quando ele percebe sua semelhança com resto, ou, melhor, quando se dá por conta de que também é resto, e, que, aquele Deus que tanto amava e temia, era apenas um eficaz subterfúgio para as suas angústias.

O Deus do amor e da piedade, onipotente e onipresente, é o Deus que deixou acontecer, em seu nome, alguns dos maiores morticínios da história; o Deus das cruzadas! O Deus da Igreja Católica! O Deus do Pastor Edir Macedo!

É triste chegar à conclusão que Deus é uma máquina de manipulação das massas. É triste olhar para o céu e não mais se imaginar morando lá daqui a algum tempo. Quase impossível, para o gênero humano, pensar que depois da morte não existe nada.

Hoje não tenho uma conclusão, uma certeza, mas, sim, um aforismo vago, resultado de uma cansativa reflexão: Deus é a prova da arrogância do homem.

Alguém, não sei quem, há muito tempo, talvez, não tenha conseguido se conformar com a brevidade da vida e acabou por inventar uma mentira que lhe sossegasse o espírito. Depois, alguém, muito inteligente, percebeu que poderia estabelecer uma religião e controlar os homens através de regras morais. Assim, foi introduzido e difundido o pecado, o céu e o inferno.

Pensando dessa maneira, é impossível crer que alguém que de realmente exista, deixe seu filho ser massacrado em vão, pelo seu próprio nome, como aconteceu e acontece ainda hoje.

Bem e mal são conceitos estipulados no transcorrer dos séculos, de acordo com a classe dominante e com a que almejava dominar. A humildade, nem sempre foi a virtude suprema, aliás, humilde, na origem da palavra, é aquele que está na terra, que é pisado. Mas convém à classe dominante, fazer uma lavagem cerebral e colocar na cabeça da maioria das pessoas que elas têm de ser humildes, e, que, essa vida é tão somente de sofrimento, porquanto assim, o número de desgostosos reduz bruscamente e os que estão no poder podem continuar a explorar aqueles que estão na ignorância.

Mas enquanto os ignorantes forem a maioria, quem haverá de sofrer serão os inconformados, pois, como reza a lenda: em uma terra, onde todos são corcundas, aquele que tem postura reta, parece um monstro.












Por Alex Caldas (@Alex_Caldass)





terça-feira, 30 de agosto de 2011

Meus heróis morreram de overdose...


Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

MESTRE CAZUZA...

Como diria o imortal poeta Cazuza, '' te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro...''

Nesse país vivemos sobre a pressão das esferas de poder que nos comprimem numa densa camada de ignorância, ''e não nossa culpa, nascemos já com um benção''. As rádio tocam bostart, sertanojo infantil, e com isso lucram milhões, a tv fatura mantendo-nos sentados com a bunda no sofá perdendo neurônios e rindo como se fosse animais imbecilizados. Mas não dá nada, a copa está chegando, as olimpíadas também. O rio de janeiro perderá a fama de chão de guerra civil, que apenas cria ficções como tropa de elite para nos iludir e acharmos que tudo isso realmente está acontecendo. Fiquem calmos, torçam para que o Neymar ganhe a copa e mostre para o mundo todo o quanto somos bons, na minha opinião mostrará apenas o quanto somos alienados com o futebol.

'' Nas favelas, no Senado,
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da Nação''

Excelentíssimos Deputados, respeitem ao menos aqueles que não tem o que comer, aqueles que morrem em filas de hospitais, pensem em todos que matam um leão por dia para comprar pão e leite para suas famílias que moram em total vulnerabilidade social, aguardando ansiosamente para alguma bolsa nova ser criada. Enquanto eles dependem da bolsa família, senhores deputados, suas vadias estão torrando a grana pública nas bolsas Victor Hugo.

Protesto aqui, não para aumentar meu salário, graças a Deus,tenho oportunidades de emprego de sobra. Protesto para deixar para minha filha um país digno, justo, sem impostos exorbitantes, inflação sem nexo e seguro. Utopia? Se ninguém fizer nada, concordo que será utopia.

Vivemos falando mal dos EUA, mas eles são mil vezes mais politizados que nós. Um cidadão americano tem condições seguras de seguir nos estudos, com qualidade, com conhecimento. Qualquer diploma fora do Brasil tenho certeza que vale mais. Porque lá fora, os estudantes exigem do governo respeito com a educação, cobram quando há negligência.

''Se você quer me seguir não é seguro...''

Esse ano podemos notar que houve um aumento de passeatas e reivindicações. Mas não podemos desistir, e temos que aumentar o número dos participantes.

Junte-se aos Poetas Sociais nessa causa. Não somos de nenhum partido político, e não temos intenções de nos candidatar a política. Apenas um movimento Social.

ACOMPANHE A COLUNA 3X4 DO PIONEIRO, E LEIA NOSSA MATÉRIA EM BREVE.



PIPPO PEZZINI


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Bella Caxias

Sabedoria.

Como é fácil escrever sobre um assunto que dá o que falar. Mesmo já tendo abordado este assunto, vou levantá-lo quantas vezes eu achar necessário. Não sou nenhuma autoridade ou coisa parecida, portanto isso não deve ser levado como uma matéria jornalística com estatísticas e afins. Não, aqui não falarei sobre discursos moralistas ou críticas sobre comportamento. Isso tudo vem tudo do mesmo inferno.

Através da incompreensível mídia recebi a notícia de um caso de racismo grave. Seria comum infelizmente se estivéssemos na Europa ou EUA, mas estamos no país das misturas raciais não é? Os lares caxienses em sua maioria ditam valores completamente desumanos às suas futuras gerações.

Dinheiro. Nossa. É um absurdo você não dar seu sangue por ele aqui. Ele vale mais que seu corpo e alma. Homofobia, preconceitos raciais e afins são regras ensinadas às crianças pelas influentes figuras paternas.

Aqui realmente há poucos casos de acusação de corrupção. No entanto acho curiosas as mortes que acontecem. Pobres, negros e mulatos. Claro diria um pseudoitaliano, “estes são os ápices da criminalidade”. Mas por quê? Sim, aqui a classe e a cor da pele determina o caráter de alguém.

É no mínimo interessante a reação das pessoas em sua maioria perante àquelas que não se enquadram nos seguintes requerimentos:

*descendência italiana;
*ideologia neofascista;
*branco;
*homofóbico;
*avarento;
*classe alta;
*aparência física de moldes conservadores;

Indiferença e desconfiança são pouco. O curioso é que isto já tem entrada nos lares de muitas pessoas de classes mais baixas. Estaríamos formando um exército de Mussolini?

Artistas e pessoas não diretamente ligados ao mercado abrangente (metalúrgicas e afins) são como o vento. Vazios, vão e voltam. Muito desvalorizados. E o que dizer daqueles que não vendem a alma pelo dinheiro? Vagabundos é pouco.

Vi um caso debaixo de meu nariz. Os pais do menino falam sobre ele ser médico. Sim, ele tem seis anos. Uma das maiores conversas entre pai e filho é direcionada ao dinheiro, como se fosse um imã desta relação. Medicina para chegar ao dinheiro. E ajudar aos outros? Isso acabou faz tempo.

Apontam-te o dedo. Determinam quem tu és antes de ti próprio. Bem vindos à Serra Gaúcha.

Na bela Caxias do Sul!

Autor - Jean Fernandes